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Ainda João de Freitas Branco

A evocação de João de Freitas Branco no programa desta semana tem suscitado reacções de comoção. Aqui fica a do seu amigo compositor Cândido Lima.

"A minha mensagem era simplesmente para me associar a essa lembrança, evocando uma pessoa com quem tive oportunidade de contactar em muitas situações e sob as mais diversas formas. Lembrava-lhe (talvez o tenha lido), e pedia-lhe para dizer ao filho, que gostaria que soubesse que a melhor homenagem que eu lhe poderia prestar, foi inserir o próprio nome do pai na estrutura da obra, e no final na parte "código morse" (João, entre outros amigos desaparecidos), do meu quarteto de cordas "Vozes à Luz - À Memória", com outros músicos ilustres que já partiram (CD-Numérica - Matosinhos).
O Dr. João de Freitas Branco figura também entre aqueles a quem dediquei o livro "Origens e Segredos da Música Portuguesa Contemporânea - Música em Som e Imagem".
Desconhecendo o seu estado de saúde, convidei-o um ano antes de partir, para fazer uma conferência no ano seguinte nas Semanas de Música de Viana do Castelo, de que eu era o responsável. Disse-me que em princípio, sim. Falaríamos mais tarde. Foi na inauguração, no Porto, de uma escultura a Guilhermina Suggia, ao ar livre, de quem fez uma evocação magistral inesquecível como só ele era capaz.
Lembro a sua voz, sorriso e tranquilidade. E tudo o resto que sabemos.
E não posso esquecer que foi por ter uma forte costela matemática que consegui, por ele, uma bolsa da S.E.C. para ir para Paris estudar com Xenakis, que ele admirava como compositor e como teórico. Em 1975!
Em Encontro com Xenakis no Cinema Trindade que eu organizei, por o ter convidado no Festival de La Rochelle, em França, foi o Dr. João de Freitas Branco que o acompanhou ao Norte, a convite da D. Madalena Perdigão (há uma crónica sobre esse encontro memorável no jornal, acho que "O Jornal", não? Acho dirigido pelo Adolfo Portela Filho. Tenho a crónica, mas não à mão.)
Parabéns a si por o ter lembrado."
Se quiser deixar-nos o seu testemunho sobre João de Freitas Branco, poderá enviá-lo para naoutramargem@gmail.com.

Na Outra Margem 03/06/09

Foto: CIMP
2009 é o ano de efemérides redondas, de celebração da obra feita e também da primeira audição de novos trabalhos de Cândido Lima. 70 anos de idade e 30 da estreia da primeira obra electrónica portuguesa com uso de computador vão ser evocados em Setembro no festival Música Viva, que homenageia o compositor. Mas para já, nos dias 10 e 11 de Junho, o Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo, assiste à estreia de uma obra de fôlego, "Músicas de Villaiana - Coros Oceânicos", encomendada pela edilidade ao compositor para festejar os 750 anos do foral. Motivos de sobra para uma conversa com um artista para quem as efemérides pessoais importam muito menos do que a capacidade de inventar o presente.

Para ouvir Na Outra Margem, 4ª feira, 3/6, às 18h05, em 90.4 fm ou em http://www.radioeuropa.fm/, e agora também em podcast.